Farroupilha, RS,
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28/01
Farroupilha irá produzir, em 2002, aproximadamente 50 mil toneladas de uva nos cerca de 3 mil hectares de área plantada, estima o responsável pelo escritório local da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Alfredo Gallina. A projeção é 10% superior à safra passada, que chegou a 45 mil toneladas da fruta devido ao prejuízo com as geadas tardias e ao excesso de chuva na época da florada. "Este ano tende a ser superior em quantidade e qualidade", aposta Gallina, segundo quem a previsão tem como base o comportamento do clima apenas até agora. "A expectativa é de uma safra normal, com boa produtividade", reforça.
Conforme o engenheiro agrônomo, a safra tem qualidade em função de o nível de chuva ter sido normal e devido à grande quantidade de insolação, fatores que conseqüentemente asseguram aumento do teor de açúcar (grau glucométrico) e matéria-prima de qualidade para o vinho. Produtores que trabalham com as variedades mais precoces - como as niágaras rosa e branca e a bordô - já iniciaram a colheita. A isabel, responsável por mais de 30% da produção, só começará a ser colhida em meados de fevereiro.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Márcio Guilden, além do clima, o fato de o agricultor ter procurado um manejo adequado para a videira também permitiu a enólogos e técnicos criarem uma perspectiva otimista para a qualidade da produção. "Sempre trabalhamos com o enfoque da qualidade da uva e dos demais produtos para o agricultor se inserir neste mercado globalizado", destaca Guilden, que defende uma remuneração para a fruta compatível com a qualidade com que ela é produzida.
Na eterna queda-de-braço entre os setores produtivos e industrial (vinícolas e cantinas), o sindicalista garante que, se a relação qualidade/preço for estabelecida, o agricultor fará a sua parte. "Quando o preço é pago à altura da qualidade, na próxima safra, dentro de uma realidade de clima, podemos avançar", assegura. Guilden entende que deve haver simultaneidade de situações, sem que um fator espere pelo outro. "As duas coisas andam juntas. A uva depende do tempo, mas o tratamento adequado vai resultar num produto superior em comparação a outro, mesmo com clima adverso", explica.
Produto entregue, preço indefinido A novela mais uma vez se repete. A uva está sendo vendida pelos produtores para ser industrializada pelos cantineiros ou vinicultores sem ter um preço final definido. "Já iniciou a safra, está-se entregando a uva, e o agricultor não sabe quanto vai receber pelo quilo da uva", relata o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Márcio Guilden. Segundo ele, "há uma procura muito grande pela uva", devido, principalmente, à qualidade da fruta e às ações de organização do setor. Guilden revela que, desde o início da safra, apenas isolados negócios tiveram o valor acertado. De acordo com ele, a Comissão Interestadual da Uva, ao qual pertencem sindicatos de agricultores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, apresentou ao governo federal um custo de produção de R$ 0,37 por quilo de uva comum, "com a dolarização dos produtos e sabendo que o mercado tem condições de pagar um preço superior, devido à qualidade." O mínimo, porém, foi fixado em R$ 0,29, valor que o sindicalista classifica como "um desestímulo à produção de qualidade." Nesta sexta-feira, ficou de acontecer uma nova reunião, desta vez em Flores da Cunha, entre membros da Comissão e os maiores compradores (grandes vinícolas), visando a definição do preço final da fruta. Guilden entende que, "para o setor ser fortalecido, todas as partes da cadeia produtiva precisam ser contempladas com o crescimento." Conforme o sindicato, a maior parte da produção local de uva tem como destino a industrialização. Dados da entidade revelam que, em 2001, das 41,4 mil toneladas colhidas, foram vinificadas 13 mil toneladas da variedade isabel, 6,5 mil da moscato branca, 5,5 mil da bordô, 5 mil da niágara branca e 3 mil da niágara rosa. O restante é vendido para o comércio in natura e atende os mercados da região, Porto Alegre e Santa Catarina. Outro problema para o setor apontado pelo sindicalista, que o vê como um desafio para os agricultores, é o fato de nos últimos anos a uva ter deixado de ser uma produção quase que exclusiva da Serra. Hoje, há parreirais espalhados em todo o Estado e de sul a nordeste do país. A safra
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