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23/08

Local fica à beira da VRS-313, em Desvio Blauth

Marta, com Ricardo, deu início ao empreendimento há 12 anos
Paraíso das Cabrinhas
entra no circuito turístico

Empreendimento voltado ao turismo rural, no Desvio Blauth, ganha espaço nacional como exemplo de agronegócio bem-sucedido com o apoio do Sebrae

Há 12 anos, cabra no Desvio Blauth, a cerca de 10 quilômetros da cidade, era novidade como fonte regular de renda. Hoje, tem até o Paraíso das Cabrinhas, com divulgação nacional através do Sebrae e tudo. A história é longa e tem sabor especial. Em Farroupilha, não é novidade. Para o país, ela será contada em rede nacional de televisão, provavelmente nesta segunda-feira, no intervalo do Jornal Nacional, em espaço do Sebrae, na Rede Globo, como um evento bem-sucedido nas mãos de descendentes dos Haupt, Carlos e Sofia, os pioneiros que se instalaram na localidade no início do século passado. Marta Luíza de Aranha, 57 anos, casou-se com Ricardo Luiz, 62, bisneto dos Haupt. Ela é porto-alegrense e apenas costumava veranear na localidade. O marido trabalhava na Capital. Vieram os filhos, Ricardo Jr, Leonardo, Patrícia e Débora. Ricardo, o pai, sempre ligado à terra natal, foi subprefeito de Nova Sardenha. Até que a dona-de-casa, Marta, teve uma idéia a partir de uma reportagem sobre cabras. O passo seguinte era adquirir as primeiras matrizes. Foram cinco cabrinhas de início. Que leite de cabra tem poder nutritivo, não havia dúvidas, especialmente para crianças. Esse era o mote de um negócio incipiente. Começou a produção leiteira, e Marta não sabia o que fazer com o produto, até que manteve conversa com pediatras da cidade. Os primeiros clientes começaram a aparecer, e ela, com tarro na mão, passou a entregar o leite de casa em casa na cidade. A “brincadeira”, como ela classifica, ganhou corpo. O marido teve que deixar as outras atividades para ajudar no novo negócio, pois de cinco cabras o rebanho pulou para 100. Como em tudo, surgiu a primeira encruzilhada, conta Marta. Ou o negócio entrava para valer para competir no mercado ou mudava de estratégia. Mudou a estratégia. Foi o surgimento do Paraíso das Cabrinhas.


Programa de incentivo define empreendimento
Com o apoio da Associação de Turismo da Serra (Atuasserra), a família Haupt entrou no programa de desenvolvimento do turismo rural ou agronegócio. Além de uma redefinição do negócio, o Paraíso das Cabrinhas, como reflexo desse investimento na própria qualificação através do programa, integra hoje um dos mais belos roteiros turísticos do Estado. São produzidos cerca de 60 litros de leite por dia, que são pasteurizados na própria fonte. O leite é engarrafado para venda in natura ou então é industrializado: docinho de leite, ambrosia, rapadurinhas, queijo in natura, queijo envolto em temperos especiais e embebido em óleo de oliva. Isso tudo está à disposição do turista à beira da VRS-313, em Desvio Blauth. A casinha que corta horizontes bucólicos do nosso interior está em reforma. A reforma faz parte do projeto apoiado pelo Sebrae. O espaço da agroindústria será ampliado para que o turista possa apreciar todo o processo de produção. Igualmente o espaço do varejo será ampliado para maior comodidade dos visitantes. Mas esse não é o único sinal de sucesso. O Paraíso das Cabrinhas tem levado os produtos para feiras. Depois da Fenakiwi, agora está presente na Expointer, em Esteio.

O bode
Há uma idéia errada de que o leite de cabra tem cheiro forte. Marta Haupt esclarece: “Tudo é questão de manejo”. As carinhas não têm cheiro, o leite não tem cheiro forte coisa nenhuma. O bode é que é malcheiroso, é o charme dele para atrair as fêmeas. Se tocar no bode ou ficar muito próximo dele, a pessoa acaba absorvendo o cheiro do bode. A solução é simples. É só separar o bode das cabrinhas. Aliás, esse cuidado é tomado no capril dos Haupt. O macho só fica com as cabras quando elas estão fora de produção, primeiro mandamento de quem garante a qualidade do seu produto.


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